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Juros do cartão: um poço sem fundo

Pode ser difícil, mas se livrar das dívidas impagáveis do cartão de crédito é a melhor maneira de acabar com dor de cabeça e aprender a utilizar esse pequeno objeto que pode ser um grande amigo

É sempre a mesma história: a dívida no cartão de crédito começa pequena. Você vai pagando sempre o mínimo, sem se importar muito com os juros e quando percebe está com uma conta impagável. O número de cartões de crédito em circulação hoje, no país, é três vezes maior do que toda a população brasileira, cerca de 700 milhões entre opções gold, black e outros. E com esta enorme variedade, cada vez mais pessoas não conseguem pagar a conta no final do mês. O que fazer para escapar dessa situação? Mais: como não fazer do cartão de crédito o vilão do seu orçamento? “O salário às vezes não deixa você pagar à vista. Então, você acaba se submetendo ao crédito, ao crediário”, comenta Carollina Perez, 26 anos, publicitária, de São Paulo. “É ilusão. É um crédito ilusório”, alerta, Juliana Bueno, 30 anos, fisioterapeuta, de São Paulo. “Você acha que com o tempo consegue resolver e no fim dá esse problema que é você ter uma dívida impagável”, explica Mariana Seraphim, 22 anos, estudante de biologia, de São Paulo.

Poço sem fundo
Atualmente os juros do cartão de crédito estão em média na faixa dos 10,7% ao mês. Mais altos do que cheque especial, que são de 9,3% ao mês, e do crédito pessoal, que gira em torno dos mensais 5,4%. O que significa dizer que, caso você tenha uma dívida de R$ 1 mil no cartão de crédito e siga pagando apenas o mínimo permitido, em um ano a conta deve chegar aos R$ 3.350. Caso decida continuar com o nome sujo até sua dívida expirar, naqueles famosos e dramáticos 5 anos, você estará devendo na praça cerca de R$ 358 mil! Sim, uma dívida astronômica e impagável.

O risco para o banco ou para a empresa que está fornecendo esse crédito é maior. E risco maior significa custo mais alto para o cliente. Aí está o perigo. Carollina luta na Justiça para recalcular a dívida que já passou de R$ 20 mil. A fatura de um dos seus cartões mostra sua dívida. “Eu gastei R$ 2,8 mil e paguei R$ 3.448 e ainda estou devendo R$ 1,5 mil nesse cartão”, conta a publicitária.

Para quem não consegue pagar a conta, uma dica é pegar empréstimo no banco, que cobra juros mais baixos. Outra saída é vender o carro ou outro bem. Pague a dívida e compre outro veículo financiado. Há taxas de 1% ao mês no mercado de automóveis. Sua dívida vai parar de crescer e você ganha uma oportunidade de reorganizar seu orçamento.

Não gastar também sai caro
Mesmo que você não gaste um centavo, muitas empresas cobram anuidade e uma taxa de inatividade após 90 dias sem usar o cartão de crédito. A fisioterapeuta Juliana recebeu em casa uma cobrança de R$ 30 simplesmente por não ter comprado nada no cartão. “Se eu não estou usando esse serviço, eu não quero pagar por ele e nem qualquer taxa relativa”, diz. Portanto, se receber um cartão que você não quer, ligue para a administradora para avisar que não tem interesse. E, para evitar problemas o primeiro passo é quebrar o cartão e devolvê-lo para a operadora, juntamente com uma carta com aviso de recebimento, pois este documento pode ser útil em uma eventual briga judicial.

Os consumidores estão cobrando mais transparência. Um levantamento em Procons de todo o país mostra que as empresas de cartão de crédito estão em primeiro lugar no ranking de reclamações. Segundo o Serasa, cartões de créditos e financeiras respondem por 31% das dívidas em atraso em todo o Brasil. “A indústria de cartões tem que melhorar sua comunicação com o cliente”, diz Claudio Yamaguti, presidente da Abecs (Associação Brasileira de Empresas de Cartão de Crédito e Serviços).

De olho nas brigas judiciais iniciadas por clientes afogados em dívidas e juros infinitos, as próprias operadoras iniciaram campanhas de reeducação financeira com os usuários de cartões de crédito. O próprio site da Abecs possui planilhas que os clientes podem utilizar para reorganizar seus orçamentos, além de cursos online para aprender a utilizar melhor seu cartão.

Racionalidade x Impulsividade
Fique atenta. O cartão de crédito não é um complemento da sua renda. “Quando vi, não vivia mais sem ele. Não tinha como passar o mês! Meu salário era usado para pagar a fatura, e mesmo assim ainda não conseguia saldar toda a dívida”, conta a estudante Mariana, que chegou a ter faturas com valores três vezes maiores que o seu salário de estagiária. “Tive que aprender a falar ‘não’ para mim e os meus impulsos, antes de começar a administrar minha dívida e me reeducar”, conta. João Augusto Frota Salles, economista da consultoria RiskBank, aconselha, “o cartão de crédito é um empréstimo de curto prazo. Isso significa que é para usar somente numa situação de emergência”. Reeducação é tudo!




Foto: StockPhotos 

 
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