Saúde em dia

Uma das principais causas de morte entre as mulheres ocidentais, o câncer de mama pode ser curado por meio de exames periódicos

De acordo com estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA), em 2010 o risco de mulheres adquirirem a doença é de 49 casos para cada 100 mil pessoas do sexo feminino. Parece pouco, mas é um número alarmante, e que deve ser levado em consideração principalmente entre as mulheres com mais de 35 anos, que encabeçam o grupo com maior número de casos.

O câncer de mama não tem uma causa específica, mas alguns fatores podem contribuir para o seu desenvolvimento. Um deles é o simples fato de ser mulher – embora os homens também estejam sujeitos a desenvolver a doença, apenas 1% da população masculina é acometida pelo câncer de mama –, por conta de um hormônio chamado estrogênio. José Roberto Filassi, formado em medicina pela USP, alerta: “Praticar exercícios físicos, evitar a obesidade, amamentar, não fumar e não consumir bebidas alcoólicas em excesso ajudam a prevenir o surgimento da doença.”

O problema pode ser consequência de uma mutação genética ou irradiação do tórax na adolescência para tratamento de outras doenças, por isso é importante fazer exames constantemente – seja em laboratórios ou o conhecido exame de toque. Rita Albuquerque, 20 anos, estudante de jornalismo, tem histórico de câncer de mama na família, o que a obriga fazer exames periodicamente. “Tanto eu quanto minha irmã realizamos os exames a cada seis meses. Minha mãe descobriu cedo e por isso pôde se curar, apesar da gravidade dos nódulos malignos”, conta.

Porém, o exame de toque não é o suficiente. A partir dos 40 anos a mulher precisa ir ao mastologista pelo menos uma vez por ano e verificar se está tudo bem e caso encontre um nódulo ou caroço antes deste período, é preciso ir ao médico para verificar o que é. Quanto mais cedo a doença for descoberta, maior são as chances de cura e tratamento. Vale a pena lembrar que se a doença não tiver cura, isso não significa uma morte iminente, é possível viver bem com tratamentos.

Os nódulos podem ser benignos ou malígnos. O profissional explica: “A descoberta de um nódulo benigno deve pressupor acompanhamento. Depois da confirmação por biópsia de que tratam-se de células benignas nem sempre é preciso tratar, isso vai depender do tamanho do nódulo. Os que se apresentarem com menos de dois centímetros não precisam ser tratados, apenas acompanhados. Os que forem de tamanho maior que dois centímetros ou representarem um grande incômodo para a paciente podem ser retirados por meio de cirurgia. Os nódulos malígnos são o câncer de mama”, alerta.

O tratamento da doença, por sua vez, é principalmente cirúrgico. Depois da retirada total ou parcial do tumor, dependendo da cirurgia realizada, poderá ser necessário fazer um tratamento complementar com quimioterapia e/ou radioterapia ou hormonioterapia.

Uma mulher com histórico de câncer de mama apresenta uma chance maior de recorrência da doença. Assim, é preciso fazer o seguimento adequado por toda a vida. Nos primeiros dois anos após a cura da doença é preciso realizar o acompanhamento a cada 3 ou 4 meses. Entre dois e cinco anos deve-se fazer o acompanhamento a cada 6 meses. A partir do quinto ano, depois da cura, o acompanhamento passa a ser anual.

Boas notícias
Uma pesquisa feita em ratos nos Estados Unidos comprovou que o estresse crônico ajuda a disseminar o câncer de mama, uma vez que este consegue reprogramar as células imunológicas que tentam combater o câncer. Os pesquisadores conseguiram reduzir os efeitos com exercícios físicos e técnicas para controlar o estresse, o que resultou no bloqueio da disseminação da doença. Segundo os especialistas, se os mesmos resultados forem constatados em humanos, o estudo pode trazer esperança de novas abordagens para prevenir a recorrência e a metástase do câncer de mama.

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